PARA O ECOTURISTA INICIANTE
O gosto pelo contato com a natureza não tem idade ou época certa para acontecer. Algumas pessoas despertam mais cedo para essa vertente ecológica, outras têm a oportunidade de posteriormente satisfazer a necessidade humana em compartilhar o meio ambiente. O fato é que nunca é tarde para aventurar-se em viagens pelas trilhas e matas deste Brasil. Porém, para quem nunca experimentou ou não tem o hábito de conviver com as delícias da vida ao ar livre, é necessário um pouco de cautela, sobretudo nos aspectos segurança e saúde. As indicações a seguir serão úteis na hora de planejar sua próxima viagem.
ESCOLHA AS ROUPAS ADEQUADAS

Os tecidos mais apropriados são os que absorvem o suor e permitem que o corpo respire. Prefira modelos folgados, que não prendam os movimentos. Para regiões de bastante sol, use roupas claras que refletem o calor, embora não protejam dos raios ultravioleta (neste caso, aumente o fator do protetor solar). Para regiões sujeitas a temperaturas frias, não dispense a jaqueta de material impermeável sobre a roupa, pois ajuda a se proteger do vento e manter o calor do corpo. Lembre-se de levar chapéu ou boné e também dê atenção especial ao que irá calçar: tênis oferecem conforto, mas são pouco seguros para caminhadas com declives acentuados; botas de tecido ou couro, com solado antiderrapante e suporte acolchoado para os tornozelos, são as mais indicadas.
CARREGUE SEMPRE UM KIT DE PRIMEIROS SOCORROS:
Uma aventura longe da civilização nunca está a salvo de mal-estares e acidentes, ao contrário, o contato com árvores, plantas, trilhas e animais aumenta as chances desses eventos. Por isso o viajante (e não apenas o iniciante) deve sempre carregar um kit básico de primeiros socorros, contendo:
· curativos aderentes, que são indispensáveis para cobrir pequenos ferimentos, impedindo o acúmulo de sujeira que provoca infecção;
atadura de gaze para ferimentos com bolhas, causados, por exemplo, pelo uso de sapatos inadequados. Fixe o curativo com esparadrapos que não escapem com o atrito dos pés;
· lenços anti-sépticos, práticos de carregar na mochila e eficazes para a limpeza do ferimento;
· analgésicos e antiácidos para indisposições, como dor de cabeça causada pela exposição ao sol e complicações estomacais.
RESPEITE SEU PRÓPRIO RITMO
Caminhar é a forma mais simples de fazer turismo ecológico. Permite a contemplação da natureza, não envolve maiores custos ou riscos e está ao alcance de qualquer um, dispensando habilidades físicas específicas. Mas apesar de simples, a caminhada em trilhas exige um mínimo de condicionamento físico, além de certas dicas que podem ser valiosas para sua prática por um iniciante. Para começar, prefira dar passadas longas e lentas em vez de curtas e apressadas, que cansam mais. Exercite-se no seu ritmo, sem sobrecarregar sua musculatura, ou então não conseguirá desfrutar da natureza. Um bom termômetro é tentar conversar enquanto anda, se o fôlego faltar, diminua a velocidade da caminhada. Dê quantas pausas julgar necessário durante o trajeto, mas evite parar a cada cinco minutos, pois a falta de ritmo nas passadas também é um fator que contribui para o cansaço.
NÃO VÁ PARA UMA TRILHA SEM EQUIPAMENTO PRÓPRIO

Diferente do turismo urbano, onde mapas e bússolas são praticamente dispensáveis, um passeio por uma trilha demanda condições especiais que evitam transtornos como, por exemplo, ficar perdido em uma trilha, sem comunicabilidade. Por essa razão inclusive recomenda-se sempre viajar acompanhado de um monitor ambiental ou pessoa que tenha experiência da região. Além disso, é fundamental carregar alguns objetos essenciais, como bússola, lanterna, relógio e canivete. Uma boa dica é levar um apito, que funciona como eficiente sinalizador para pedir socorro se alguém se machucar ou se perder do resto do grupo.
LEVE ALIMENTOS COM VOCÊ

Programas que envolvem a natureza estão sempre sujeitos a imprevistos como uma pancada de chuva que retarda a volta do passeio. Por isso, é providencial sempre carregar na mochila algum tipo de alimento para situações de emergência. Comidas secas, como biscoitos, grãos e barrinhas de cereais, são perfeitas para este fim, já que são práticas de transportar e fornecem energia rapidamente, ajudando a recompor-se do exercício. Além disso, leve um cantil ou garrafa de água e mantenha-se hidratado, pois durante o esforço físico a transpiração aumenta, e a necessidade de beber líquidos fica ainda maior.
PARA ARRUMAR A MOCHILA IDEAL
Como deve ser
Alças, proteção das costas e barrigueira devem ser confeccionadas em material absorvente e fácil de secar. Assim o suor evapora rapidamente e não traz sensação de desconforto. Zíperes grandes e reforçados para suportar o peso. Fitas na lateral para ajustar a mochila quando estiver mais vazia, tornando-a compacta e fácil de carregar.
Alça lateral para transportá-la como mala, ocasionalmente. Fundos duplos com abertura independente ou bolsos externos para retirar certos itens úteis durante a caminhada, sem que seja necessário esvaziar toda a mochila.
O que deve conter
Cantil. Água é a prioridade de quem vai se aventurar por uma trilha, por menor e mais fácil que ela possa parecer. O ideal é carregar sempre um cantil de 1 litro.
Agasalho e capa impermeável (ou plástico para se cobrir) para servir de refúgio contra o vento e a chuva.
Alimentos energéticos. Barrinhas de cereais, sementes, frutas secas, chocolates e biscoitos, que não ocupam muito espaço e podem ser fundamentais em uma situação de emergência, como ficar perdido em uma trilha ou ter alguém que passa mal por conta do esforço físico. Não esqueça de levar saco plástico para recolher o lixo.
Lanterna. Prefira os modelos leves e carregue sempre pilhas sobressalentes.
Como arrumar
Acomode primeiro o material que será menos utilizado, como toalhas, roupa extra, saco de dormir, barraca.
Máquina fotográfica e pequenos lanches devem ser colocados por cima. Para garantir-se, embrulhe esses itens em sacos plásticos, protegendo-os de eventuais chuvas.
Capas de chuva, chapéus ou luvas ficam mais à mão acomodados nos bolsos laterais.
Disponha os objetos no fundo da mochila, tomando o cuidado para equilibrar o peso entre as duas alças e, assim, não sobrecarregar apenas um ombro.
Dicas para Antes de Viajar
Vacinação

Recomenda-se a vacinação contra a febre amarela no Estado de Minas Gerais. Vacine-se, no mínimo, até dez dias antes de iniciar sua viagem num posto de saúde de sua cidade ou de seu bairro.

Cuidados
Prepare seu espírito para uma viagem na qual o que importa é desfrutar e não consumir. Leve em conta seus interesses pessoais e preparo físico na hora de escolher um roteiro e não apenas o destino em moda.
Garanta a qualidade da água que irá consumir das fontes e riachos levando com você compostos a base de cloro ou outra substância purificadora a venda em farmácias.
Planeje
Quanto mais cedo você começar seu planejamento, melhor. Pesquise bastante o seu destino, prevendo com antecedência os roteiros e os equipamentos necessários para sua aventura.

Leve o mínimo de bagagem possível, roupas leves, sapatos adequados e confortáveis.
Lembre-se de levar um chapéu ou boné, não importando se o local de destino tem temperaturas quentes ou frias. Esse acessório evita a perda de calor pela cabeça e pescoço, minimizando os riscos de insolação e choques térmicos.
Informe-se sobre o lugar que visitará antes de embarcar. Guias especializados, matérias publicadas em revistas, na internet, folhetos de agências de turismo, dicas de amigos - vale tudo. Dê especial atenção para as orientações sobre fauna e flora do local, assim você poderá desfrutar melhor a natureza do local.
Consulte
Cheque as credenciais das agências de turismo que estão organizando sua viagem. Melhor saber dos problemas antes de contratar e pagar pelo roteiro, do que arriscar-se a chegar ao seu destino e ficar na mão com reservas de hotel e traslados, por exemplo.
Quando fechar um pacote com uma agência, pergunte tudo o que está incluído, confirmando cada detalhe. Há agências que não consideram como parte do roteiro, por exemplo, o transporte do local da hospedagem até o atrativo (traslado). Neste caso, é melhor se informar da disponibilidade de transporte alternativo no local.
Seja rigoroso na escolha de uma agência de viagem. Certos indícios já no contato inicial podem caracterizar amadorismo e falta de estrutura do estabelecimento. Desconfie de um anúncio que leva apenas um número de celular ou se o local de venda dos pacotes for a garagem de uma casa, por exemplo.

Quando é a natureza que dita as regras do passeio, certos imprevistos como chuvas e períodos de estiagem são inevitáveis. Mas, com uma consulta prévia aos calendários regionais, dá para saber a época mais apropriada de visitação ao lugar, consultando além das condições climáticas, a temporada de eventos culturais e folclóricos da região.
Conduta
Respeite as comunidades locais, seus valores, crenças e costumes. Não tenha atitudes que impactem com o modo de vida das mesmas.
Em caminhadas pelas trilhas, carregue um saco plástico para recolher todo o lixo que produzir, inclusive restos de comida, latas e garrafas plásticas. Não deixe vestígios de sua passagem.
Evite
Se no seu programa de viagem houver uma atividade física puxada, como uma caminhada nas montanhas, por exemplo, não cometa o erro de esforçar-se demasiadamente no primeiro dia. Comece com roteiros mais amenos, condicionando-se fisicamente para trajetos mais íngremes e prolongados.

Evite caminhar sozinho à noite ou sob cerração.

Evite apoiar-se na vegetação durante as caminhadas ou colocar as mãos em buracos ou fendas.

Evite consumir bebidas alcoólicas ou utilizar aparelhos de som em volume alto.
Fotografe
Registre os locais e os momentos especiais.
Algumas orientações básicas podem garantir o sucesso das fotografias de viagem. Anote: as melhores condições de luz para fotos ao ar livre acontecem ao amanhecer e entardecer, quando o sol incide perpendicularmente no assunto e produz efeitos de luz; evite usar flash que interfere na luz natural; prefira câmeras com ajuste manual de leitura de luz, porque as condições naturais mudam rapidamente, e manualmente o fotógrafo poderá clicar fotos com opção de pontos de exposição a mais e a menos.
Observe
Observe as condições climáticas e dos percursos.
Lembre-se de que acidentes naturais podem fechar os parques e reservas temporariamente.
Travessias em rios demandam a necessidade de técnicas especiais para reconhecimento de terreno. Uma dica bem simples e eficaz é utilizar uma vara para tocar o fundo do rio à procura de pedras e buracos.

Banhos em rios e cachoeiras oferecem risco de afogamento e de acidentes, por conta das correntezas e condições de profundidade. Por isso, antes de mergulhar verifique se há profundidade suficiente. Nem sempre águas escuras indicam que são fundas, bem como águas calmas podem esconder pedras no fundo do rio.

Fazer trilhas em bicicletas é uma alternativa ecológica e agradável, mas depende de um bom condicionamento físico e equipamento adequado. Para saber se a bicicleta é indicada para sua altura, siga esta dica: quando ficar em pé, mantendo o quadro entre as pernas e os pés apoiados no chão, a distância do quadro até a virilha deve ser de um palmo.

Cuidados
Para as caminhadas, prefira sempre transportar sua bagagem em uma mochila. É a forma mais confortável para carregar seus pertences, deixando as mãos livres e o peso distribuído uniformemente. Há modelos menores, mais leves e compactos, indicados para caminhadas curtas.
No decorrer dos passeios a pé, reserve intervalos de dez minutos a cada uma hora para descansar e desfrutar a paisagem. Mesmo que o objetivo da sua viagem seja a prática esportiva, não desperdice a oportunidade de relaxar em contato com a natureza.

Em caminhadas organizadas em grupo deve haver sempre um guia ou alguém que conheça o terreno. O ideal para grupos grandes é que haja duas pessoas _ o batedor, que vai à frente mostrando o caminho, e um segundo guia, que fica no final da fila acompanhando os membros mais lentos da equipe.
Em situações de emergência é possível usar um relógio de pulso como bússola. Para isso alinhe a marcação do meio-dia do visor analógico com o sol. A direção Norte corresponde ao espaço entre a marca de meio-dia e o ponteiro das horas.
Fique de olho na água que vai beber. Em planícies onde há gado pastando, os rios e riachos podem estar contaminados com detritos dos animais. Riachos com profundidade suficiente para mergulho também não têm água considerada potável. Somente as bicas de águas que nascem em montanhas mais altas, acima das pastagens, costumam ser puras. Procure levar consigo água e alimentação adequada.
Textos e fotos reproduzidos e adaptados do Guia de Turismo Ecológico do Estado de Minas Gerais, produzido pela Empresa das Artes, com o patrocínio da Ale Combustíveis S.A.
Ambulatório no HC dá dica para viajante evitar doença

Médicos orientam ecoturista contra febre amarela e malária
Margarete Magalhães
Folha turismo/ KIT BOM PASSEIO

Viajar como turista é só alegria: roupa nova, disposição e espera para curtir o paraíso escolhido. Para reforçar a tranqüilidade da viagem até o destino final uma dica é que o viajante passe por uma consulta médica prévia.
"Ninguém gosta de associar viagem a doenças", afirma Eliana Gutierrez, médica e coordenadora do Ambulatório dos Viajantes, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, criado em janeiro.
Os médicos do ambulatório orientam o viajante gratuitamente, de acordo com a região e com o tipo de passeio planejado.
Os ecoturistas - bastante vulneráveis a doenças - nem sempre estão conscientes da necessidade de imunização.
Com o turismo verde-amarelo e no hemisfério Sul em alta, quem for se aventurar por Bonito (MS), pela Chapada dos Veadeiros (GO), pela bacia Amazônica, Bolívia, Colômbia e outros países na América do Sul ou na África deve se vacinar contra a febre amarela, "doença de ecoturista e de pescador", segundo Eliana, e se prevenir contra a malária.
"Não dá para prevenir totalmente, mas a primeira coisa é a imunização", alerta o infectologista Alexandre Padilha, do Ambulatório dos Viajantes.
Para cada destino há um risco diferente. Por isso, Eliana diz que é preciso descobrir a atividade, as características do alojamento e o tipo de comida de cada lugar.
Embora não haja vacina contra malária, cujos primeiros sintomas são semelhantes aos da gripe, há meios de evitá-la. Usar inseticida e ficar com ar-condicionado ou ventilador ligados ajudam a afastar o transmissor, o mosquito Anopheles.
Outra dica, ainda que não seja comprovada cientificamente, é ingerir cápsulas de alho e de complexo B uma semana antes de viajar para a região.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que haja 200 mil casos de febre amarela por ano, com cerca de 30 mil mortes, e entre 300 milhões e 500 milhões de registros de malária, com mais de 1 milhão de mortes.
O ambulatório do HC já atendeu cerca de 400 pessoas neste ano, mas, como a maioria buscou orientação médica depois de contrair uma doença e não antes, a experiência para Eliana ainda é "um pouco frustrante".

Ambulatório dos Viajantes - Centro de Imunização do Hospital das Clínicas, no prédio dos ambulatórios; tel. 0/xx/ 11/3069-6392 ou 0800-555466; horário: de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.

Cuidados podem impedir diarréia
A diarréia dos viajantes, que aflige quase 50% deles, é a campeã em estragar um passeio. "Um dos maiores dramas dos viajantes é a diarréia, independentemente do que se come", diz o médico Jorge Mattar, diretor do pronto-atendimento do Hospital Sírio Libanês.
Uma das teorias, segundo o médico, é que, ao mudar de ambiente, a pessoa entra em contato com uma outra população de bactérias a que não está acostumada.
Nas cidades em que as condições de saneamento são ruins, não vacile na hora de beber água. Além da diarréia, pode-se contrair hepatite A. Peça um refrigerante, mas cuidado com o gelo, pois a água pode estar contaminada. "Não adianta beber Coca-Cola e pôr uma pedra de gelo dentro", diz a médica Eliana Gutierrez.
Mais um alerta para quem faz trilhas e se depara com uma irresistível mina d'água: "Águas cristalinas enganam, ali pode haver bactérias", avisa Mattar.

Remédios
O turista também pode levar uma malinha de remédios. Os médicos advertem para o perigo da auto-medicação, mas não descartam a hipótese de o viajante ter um kit com medicamentos básicos: analgésico para dores, antiespasmódico para cólicas, antiinflamatório para dor de garganta.
A precaução tem explicação. O destino pode ser inóspito, e a farmácia mais próxima estar a 200 km de distância por estrada de difícil acesso. Nos EUA ou na Europa, nem sempre é possível comprar certos remédios sem receita.
A venda de alguns medicamentos adquiridos sem necessidade de prescrição no Brasil é proibida em alguns países. "A pessoa deve levar o remédio que está acostumada a tomar", aconselha Mattar.
Fonte: Folha de São Paulo 26/11/2001

Algumas pagínas ainda estão em construção para a melhoria de todos.

Agradecemos a paciencia de todos e obrigado

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